Blur e Lana Del Rey são alvos de devoção no festival Planeta Terra

Banda inglesa e cantora americana tiveram as recepções mais calorosas.
27 mil pessoas estiveram no evento, que teve ainda Beck e Travis, entre outros.

Blur agitou o público neste sábado (9) (Foto: Flavio Moraes/G1)
Blur agitou o público neste sábado (9) em São Paulo. (Foto: Flavio Moraes/G1)

A edição 2013 do festival Planeta Terra, realizada na noite deste sábado (9), no Campo de Marte, em São Paulo, foi marcada por encontros longamente esperados e cenas explícitas de devoção. Com estilos e trajetórias bastante diferentes, as duas principais atrações da noite, Blur e Lana Del Rey, atraíram a maior parte do público, que, segundo a organização do evento, foi de 27 mil pessoas.

No caso dos veteranos ingleses, a espera de 14 anos (a única visita anterior do Blur ao Brasil havia acontecido em 1999) terminou em visível e audível euforia assim que o vocalista Damon Albarn subiu ao palco, dizendo “boa noitche. Are you ready?”, antes de a banda lançar, logo de cara, “Girls & boys”, cantada em coro do começo ao fim. O acompanhamento, aliás, aconteceu ao longo de todo o show, seja nas músicas tão antigas quanto “There’s no other way”, ainda do primeiro disco, até faixas do sexto álbum, “13”, como “Tender” e “Coffee & TV”.

A única exceção, que não chegou a ser recebida com frieza, mas deixou no ar uma sensação de que não faria muita falta caso tivesse sido substituída por mais hits, foi um bloco composto por “Out of time”, “Trimm trabb” e “Caramel”. Esta última, especialmente, ganhou uma versão desnecessariamente longa e pareceu fazer parte do setlist apenas como um lembrete de que o Blur sabe ou “pode” ser não tão pop assim quando quer.

Para o público, porém, o que parecia realmente importar era ter, enfim, a chance de (re)ver de perto os autores de uma imensa parcela da trilha sonora da década de 90, e, ao cantar a plenos pulmões cada uma das faixas dessa trilha, celebrar nostalgicamente sua própria adolescência ou juventude.

Os músicos, por sua vez, colaboram para isso, ainda que esses 14 anos tenham cobrado seu preço também para eles. O melhor exemplo nesse sentido é o baixista Alex James, que continua tocando com um cigarro pendurado no canto da boca e fazendo suas caras e bocas, embora o figurino duvidoso composto por uma bermuda e um lenço no pescoço, aliado a uma barriguinha saliente, soe mais como uma ironia aos seus idos tempos de “galã britpop”. Já o eterno moleque Albarn continua cheio de energia e com a voz em dia, mas sabiamente deixa os falsetes de antigamente a cargo dos backing vocals.

Lana Del Rey (Foto: Flavio Moraes/G1)
Lana Del Rey. (Foto: Flavio Moraes/G1)

Bem menos tempo esperaram os fãs de Lana Del Rey, que se destacavam no cenário desde cedo. Era impossível contar o número de pessoas, de ambos os sexos, com coroas de flores semelhantes às que a cantora usa. E, assim que o show do Travis terminou, foram eles que formaram imediatamente uma enorme barreira em frente ao palco. Tanta dedicação, porém, foi mais do que recompensada.

Logo após terminar a primeira música, “Cola”, a cantora fez questão de descer e passou vários minutos atendendo aos fãs, enquanto sua banda continuava tocando. Ela não apenas apertou muitas mãos, mas também deu beijos nos rostos, posou para fotos, deu autógrafos e aceitou presentes que levou ao palco, como um ramalhete de rosas vermelhas, uma bandeira do Brasil e uma coroa de flores, que usou durante toda a música seguinte, “Body electric”, e depois pendurou no pedestal de seu microfone.

No final da apresentação, ao terminar de cantar “National anthem” e antes de ir embora com os presentes em mãos, repetiria a aproximação, inclusive dando um “selinho” em um fã que quase teve um colapso nervoso, exibido pelo telão.

“Sei que vocês estão comigo desde o começo. Obrigada por fazer eu me lembrar por que amo tanto cantar”, agradeceu, em uma das várias vezes em que disse ser “uma loucura” estar no Brasil. “Vocês não acreditam o quanto esperamos para vir pra cá. Não quero esperar mais dois anos para voltar”, reforçou, antes de comentar que “conversa com muitos brasileiros” desde o início de sua carreira.

E, a julgar pela reação do público durante o show, ela não exagera. Casa gesto da cantora é motivo de gritos e comoção. Ela, óbvio, sabe e se aproveita disso: sempre lânguida, passa a mão pelos cabelos, mostra a língua para a câmera, sensualiza abaixando até o chão e ameaçando levantar o já curto vestidinho. Estilo e simpatia, no entanto, não ofuscam o mais importante: os dedicados fãs de Lana Del Rey cantam todas suas letras e não são pegos de surpresa nunca quando ela se cala e deixa que eles completem um verso, a qualquer momento, em qualquer música.

Beck
Diferentemente da adoração e da pose no show de Lana Del Rey, Beck fez, no palco menor, um show em clima relaxado. O público dançou discretamente desde o início, com “Devil’s haircut”. O cantor e os fãs se soltaram mesmo na cover de “Billie Jean”, de Michael Jackson.

Beck apresentou sucessos em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)
Beck apresentou sucessos em São Paulo. (Foto: Flavio Moraes/G1)

Em “Loser”, faixa mais esperada, Beck lembrou que não vinha ao Brasil há 13 anos, desde o Rock in Rio no início de 2001. Outra cover dos anos 80, que deixa o show ainda mais dançante, foi “Tainted love”, famosa na versão do Soft Cell. Ela foi misturada com “Modern guilt”, faixa-título do disco de estúdio mais recente do cantor, de 2008. De sua safra, “E-pro”, a acelerada “Girl” e a balada “Lost cause” também se destacaram.

Antes de “Hotwax”, funk com tempero latino, o guitarrista faz uma curta citação de “Asa branca”, de Luiz Gonzaga.  Nesta música, o irônico Beck brinca: “Sinto que um solo de guitarra está vindo… Realmente odeio solos de guitarra”. Mesmo assim ele toca o solo, ao seu estilo esquisito e elegante ao mesmo tempo. O americano fã de música brasileira emenda o solo torto com trecho de sua “Tropicalia”, uma bossa- nova.

Em seu show, o cantor também faz discursos irônicos e engraçadinhos, sobre temas como solidão e maconha. “Querem Beck? Sei que nem todos gostam…”, disse, em inglês, mostrando estar ciente de que seu nome permite um trocadilho com a erva.

Bandas da tarde
O festival começou às 13h40, com a banda paulista The Hatchets. Foi do grupo de rock dançante a escolha mais inusitada de repertório. Eles tocaram “The rhythm of the night”, hit do grupo italiano Corona no início dos anos 90. A faixa foi usada no vídeo do “Rei do camarote”, reportagem da “Veja São Paulo” que mostra empresário que gasta R$ 50 mil por noite na balada. A cover fez o público presente – ainda pouco, no início da tarde – levantar as mãos e dançar. Foi o começo de uma festa de mais de nove horas no Campo de Marte.

O Travis honrou a fama de “rock bom moço” com show no palco principal cheio de sorrisos, mesmo ao som de melodias chorosas. Em “Flowers in the window”, a banda se abraça no meio do palco e faz coro de “lalala”. Em “Why does it always rain on me?”, eles pedem pulos da plateia, fazendo o máximo para dar mais vigor à balada, assim como em “Side” e “Selfish Jean”, outros bons momentos. O show de estreia no Brasil após duas décadas de carreira foi a cara dos escoceses: simpático e certinho.

O suíngue que falta ao Travis sobrou do outro lado do festival, no show do The Roots. O hip hop com boa banda aconteceu quase ao mesmo tempo, para público menor, no palco secundário. Mesmo com som alto, pouco barulho vazava de um palco para o outro. O mesmo não aconteceu no encontro entre os shows de Lana Del Rey e Beck, que aconteceu em seguida.

Mais cedo, o Palma Violets fez um show com muita distorção e som extremamente altp. Além dos fãs na grade, o resto do público só mostrou reação maior com “Best of friends”, faixa mais conhecida. As músicas derivadas de Strokes e Libertines pareceram divertir mais os próprios músicos, que muitas vezes tocam olhando uns para os outros, do que o público, que ainda começava a encher o festival sob sol forte.

Na tarde ensolarada, além da abertura dos Hatchets, o Planeta Terra recebeu as bandas O Terno, Muddy Brothers e os cantores BNegão e Clarice Falcão. A atriz e cantora chamou ao palco, para breve aparição, Gregório Duvivier, marido e colega no grupo de comédia Porta dos Fundos.

http://glo.bo/HJP0Ca

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